A brisa, soprava lentamente na sua direção, fazendo seus pelos do corpo todo se arrepiarem, a cada passo naquela floresta escura, e a chuva caindo no chão, gota após gota, invadindo seu ouvido como uma grande sinfonia. Descalço. A terra molhada, grudava por entre seus dedos e a cada passo, era possível ver a luz através das gotas invadindo todo o chão e iluminando as folhas das árvores. Soprando frio, era como se o vento roubasse todo o calor existente em seu corpo, e que a cada passo que dava, seria o seu último. A chuva, escorria por suas sobrancelhas, e caia sobre seu rosto, a sua visão era turva, pois as gotas de água já haviam parado em seus cílios. Não existia força para limpar a visão, pois seu corpo estava completamente esgotado, tudo que ele podia fazer, era caminhar na terra úmida que exalava o seu odor único.
Passo após passo. Continuava a andar. Uma dor. Muito grande. Sem dúvidas, havia acontecido algo na sua panturrilha direita. Seu corpo estremeceu, e então tombou na terra. Sim... Não existia mais nada de energia, continuar agora, é impossível.
Gotas. Gota após gota. A sinfonia começou lentamente a ficar mais baixa, e seu corpo, cada vez mais pesado, era como se pesasse uma tonelada.
Uma voz. Doce... Ecoou pela floresta, rugindo por seu nome.
No meio de todo aquele frio, sua nuca se encontrava apoiada em algo quente, algo que fazia ele se sentir estranhamente confortável. A sinfonia exercida pela chuva, começou a lentamente voltar a fazer barulhos na sua audição, e retomou alguma força para abrir os olhos.
O que ele viu, foram fios de cabelo alaranjado, e em seguida, lindos olhos na cor de âmbar, e uma expressão... Ah, aquela expressão. Era algo esplêndido, de todas as maneiras. Talvez ele nunca mais viesse a esquecer tal expressão, era como se ela dissesse "Não se preocupe, tudo vai ficar bem".
E então, Makoto acordou de seu sonho.
Após acordar do sono, Makoto levantou de sua cama e se espreguiçou. Aquele foi definitivamente um sonho estranho. Em um pulo, Makoto saiu de sua cama e começou a se trocar.
Devorou seu café da manhã correndo, pegou sua mochila e saiu correndo pela porta da frente, sem dar explicações para seus pais que ficaram sem entender o motivo de tamanha pressa.
Correu até a árvore, e parou na frente dela, e ficou ali, encarando a árvore por alguns minutos. Se abaixou e tocou na árvore, novamente a cena se repetiu, sua mão atravessou a árvore, e em seguida seu braço, sua cabeça, ombros e o resto do corpo, e junto disso notou que nada havia mudado e o tempo continuava frio, Makoto refez exatamente o mesmo caminho para aquele velho café, e assim que entrou escutou novamente a doce e bela voz:
"Bem vindo ao Café Ann!"
Novamente ficou perplexo com a beleza daquela garota, era como se ela tivesse saído de um livro ou coisa do gênero, Makoto então, se sentou e fez o mesmo pedido da ultima vez.
A garota trouxe seu chá com biscoitos na mesma bandeja prateada e com desenhos em alto relevo de flores e cabos de arvores nas bordas. Colocou primeiro o chá e em seguida os biscoitos, colocou então a bandeja atrás de seu corpo e ficou ali, parada na frente de sua mesa.
Makoto colocou um único biscoito na sua boca, mastigou ele até o seu fim, o que foi algo rápido, porque o biscoito possuía uma textura excelente o que fazia ele derreter em sua boca, restando apenas as gotas de chocolate. E então, olhou para a garota, que estava ainda ali parada, olhando fixamente para a parede e disse:
"Você trabalha aqui a quanto tempo?"
A garota, que estava com um olhar fixo na parede, olhou para os olhos de Makoto e disse:
"Eu trabalho aqui desde criança, esse café era dos meus pais, porém ambos faleceram durante um saque em nossa vila, para me proteger, e desde então eu tenho assumido a responsabilidade dele"
Não sabendo o que dizer, nem conseguindo acreditar no que havia ouvido, consequentemente, pensamentos começaram a surgir em sua cabeça.
Tomando folego, porém ainda incrédulo com a situação que acabara de ouvir, fez outra pergunta:
"Você trabalha sozinha nesse café?"
A garota replicou:
"Sim, sempre trabalhei aqui sozinha"
Ele ficara ainda mais indignado com aquilo. E então, disse:
"Quantos anos você tem?"
A garota sorriu, e disse:
"Eu tenho 15 anos"
Ele acenou com a cabeça e então disse:
"Sente-se, por favor."
Fazendo um gesto com a mão e apontando para o outro lado da mesa com sua mão direita.
A garota se sentou, e então ele continuou:
"Eu tenho 16. Meu nome é Makoto Ashiro"
E após dizer isso, a garota retrucou:
"Prazer, Makoto-san, meu nome é Mikasa Ann, no que eu posso servi-lo?"
Makoto, disse:
"Eu gostaria de falar com você."
Ambos ficaram ali, sentados por algumas horas, conversando sobre o passado de Mikasa, e sua história de como havia se tornado uma gerente de um café e mantinha ele tão limpo e bem cuidado todos os dias. Ela explicou a ele tudo, e fez isso sem notar, pois ela acabou até mesmo revelando para Makoto que seu café quase não tinha clientes, e que ela já passou a ficar três dias seguidos sem clientes.
Mas a ideia de uma garota tão jovem cuidar de um café e quase não ter lucros com isso, o incomodava bastante, e fazendo assim com que ele viesse a fazer mais perguntas para ela, que respondia todas.
Sem dúvidas, aquele lugar não era um lugar normal, afinal, eles foram saqueados por ladrões que usavam espadas, machados e arcos. E desde então, aquele café tem tido uma péssima reputação, pois todos achavam que ele tinha sido abandonado. Já que Mikasa raramente saia dali, e quando saia era apenas para comprar ingredientes que ela usava no que ela fazia.
Ele estava completamente confuso sobre o que estava acontecendo, e assim que ele saiu dali ele notou que aquele lugar não era nenhum lugar comum, as casas, lojas e tudo a sua volta, possuíam de fato uma aparência rústica, como se fosse aquelas vilas que só via em filmes ou animes antigos.
Assim que Makoto voltou para seu ponto de partida, notou que o tempo em ambos os lugares tinham uma diferença de tempo, pois quando voltou para o outro lado da árvore, já haviam passado duas horas do horário em que ele era supostamente era pra ter saído da escola. Assim que notou isso, correu para a sua casa, devorou seu almoço e foi para seu quarto, deitou na sua cama e começou a pensar em tudo que aquela linda garota de olhos da cor âmbar e cabelos alaranjados havia lhe dito sobre o café, e passou a imaginar maneiras em que poderia ajudar ela. Mas ainda assim, ele estava confuso sobre o que fazer e sobre o que seria aquele lugar. E lentamente, no meio de tanta bagunça em seus pensamentos, ele pegou no sono.
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