quarta-feira, 22 de março de 2017

A Jornada de Aura - Parte 1 - "Preludio"

 E Aura era uma garotinha contente. Não feliz, mas contente. A garota tinha lindos cabelos loiros que caiam em cachos por seus ombros, e lindos olhos esverdeados que encantavam todos com sua delicadeza, alem de serem dotados de uma ótima visão. Uma voz linda que havia lhe dado o dom do canto, entre alguns outros que ela possuía, como a arte do desenho e da culinária.

 "O mundo não é lindo. Portanto, ele é."


 E Aura também era afortunada. Não sortuda, mas afortunada. A garota vivia num grande monastério no centro do mundo, um monumento esculpido dentro de um gigantesco obelisco de mármore, cheio de pilares e estatuas, com mais andares do que podia se contar. Ali, ela tinha sempre uma troca de roupa branca para usar todos os dias, 3 incríveis refeições que as vezes ela tinha o prazer de cozinhar uma, e varias outras crianças e adolescentes para lhe fazerem companhia.

 "As vezes, eu me pergunto se sou realmente uma pessoa horrível. As vezes me sinto como se fosse. As vezes, faz sentido eu ser. Pois não posso mudar as coisas; Ou pior - Eu apenas me digo isso, então não o faço."

 Mas Aura era uma garota escolhida, pois este lugar era a casa de Deus. Como haviam dito a ela, no começo de tudo, Deus esculpira o mundo. E então, ele esculpira a vida, e tudo que havia nela. Mas seu erro foi criar seres a sua imagem, pois Deus era perfeito, e a perfeição vinha de sua eterna imperfeição. E esses seres, esses anjos, esses demônios, também decidiram que criariam vida, e da vida que eles criaram, nasceu a guerra. O medo. A morte. E o mal. E Deus se sentiu mal, pelo mundo que havia esculpido, e num ato de auto-punição, transformou todos seus filhos, e aqueles que eles criaram em pedra. Por fim, criou os humanos, para que tomassem conta de todas as estatuas, e desceu para o centro do mundo, como uma estatua ele mesmo, para se sentar num trono dentro do obelisco que guardava o centro do mundo. E ali, restaram os humanos, e os poucos animais e plantas que já estavam no mundo desde que os anjos nele desceram.

 "Mas toda vez que eu fico assim, todo o resto - O mundo, as pessoas que conheço - Tudo se torna lindo para mim. Eu me apaixono por tudo"

 E Aura havia sido escolhida, pela chance. Pois quando apenas uma bebê, havia sido deixada ali, na frente do monastério. As irmãs cuidaram dela e lhe deram amor, e os irmãos protegeram ela e lhe deram conhecimento. Mesmo assim, a garota nunca havia visto o mundo fora do obelisco que não fosse o horizonte onde a janela enxergava. Um dia, ela queria poder ver o mundo...

 "É por isso que vou continuar viajando - Porque quero experimentar mais. Porque as vezes, eu vejo algo bom. Talvez, até faça algo bom."

 Um sonho distante, entretanto, pois os guardiões não tinham esse direito. Eles haviam sido escolhidos, suas vidas entregues a Deus, e Aura deveria passar toda sua vida limpando estatuas. Guardando as estatuas. As estatuas que se encontravam desesperadas. As que demonstravam extremo orgulho. Até algumas, poucas, que tinham um sorriso em seu rosto. Essa era a vida de Aura, a de conhecer cada estatua do obelisco, menos a estatua de seu Deus, fechada em uma grande sala no topo do lugar, onde apenas os mais velhos do monastério entravam, e de onde ninguém saia.

 "Ainda assim, eu sei que se eu continuar indo, eu sempre verei mais tristeza e tragédia - Experienciarei mais tristeza e tragédia. Mas se você experiencia isso - Se você sabe que é trágico - Como pode ser uma pessoa ruim? Pessoas ruins não se importam com a tristeza dos outros, se importam?"

E era exatamente por isso que Aura se sentia confusa. Pois ela estava de frente para este lugar agora. Eram três horas da tarde, e ela deveria estar cuidando da estatua de Matias, o "anjo da corneta engraçada", ou de Galius, o "querubim espadachim", ou qualquer uma das outras 37 estatuas com apelidos engraçados que ela, e somente ela, tomava conta, como cada outro garoto ou garota do monastério tinha as suas. Mas, não. Ela estava ali, no topo de uma grande escadaria em espiral que, bem abaixo, se entranharia com muitas outras escadas e ficaria esquecida. A garota nem mesmo sabia como chegar naquele lugar, já que apenas os maiores de 21 anos eram ensinados e ela só tinha 7!

 "Eu não sei. Eu só sei que não quer dizer que eu vou parar de viajar. Eu amo viajar, e mesmo se eu ver tanta morte - Mesmo se eu tiver que matar pessoas as vezes - Eu quero continuar indo. E..."

De frente para ela, estava uma porta branca, e nela haviam esculpidos incontáveis anjos e demônios, numa batalha que ela poderia ficar observando ali e nunca entenderia, ou poderia imaginar realmente acontecendo. E, alem daquele lugar, a estatua de Deus, junto com todas as pessoas que entraram para vê-la. E mesmo sabendo que ninguém jamais voltara dali, ela sentia: Aquela porta não seria um fim, mas sim, um começo...

 "Eu posso parar a hora que eu quiser!" ~ Uma garota, para sua motocicleta...

 E ela seguia, para a porta, e com a inocência de uma criança que não refletia sobre a vida tanto quanto faria dali a mais alguns anos, ela abria aquela porta branca. E ali, ela podia ver Deus.



~ The End
 Bem, pessoal, finalmente terminei o inicio de minha história nova. Isso demorou bastante tempo para escrever, e acho que uma boa parte das pessoas vai gostar mais de ler essa do que a Crown of Bullets (até porque ela já tem 6 capítulos e acho difícil gente nova voltar pra ler desde o primeiro, mas enfim), pois essa será uma história bem menos apática e complicada, alem de que estou querendo fazer algo bem mais poético e cênico com essa cronica (Que pretendo fazer talvez tão longa quanto a outra então se preparem ahahahahahahahah).
 De qualquer forma, se vocês lerem, deixem suas opiniões e sugestões nos comentários, e saibam que eu estarei trazendo coisas novas o quanto antes para vocês daqui.
 Agora, se me dão licença, tenho que instalar um software de desenho (Que eu tinha esquecido '0').
 Desligando.

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