E então, Aura viu Deus.
A mesma se encontrava numa grande sala cinzenta, com paredes cinzentas que pareciam serem feitas de pedra, e que se afunilavam lentamente até o topo, já que aquele lugar se encontrava no ponto mais alto do enorme obelisco de pedra no qual a garotinha vivia.
A sala era suportada por quatro grossas e altas pilastras de pedra, que tinham em todo seu comprimento, alem de varias rachaduras, varias figuras angelicais e demoníacas esculpidas em cenas de guerra e de glória.
No ponto mais distante da sala, na parede extrema em frente a porta da qual Aura entrava na sala, um grande vitral se encontrava iluminando o lugar como se fosse uma clareira no meio de uma floresta densa e escura, e neste vitral era retratado um anjo criando a vida de vários animais incríveis num vasto e lindo campo florido, uma cena do mundo exterior.
E então, a descrição da sala, até para a pequena Aura que a via, começava a se tornar difícil.
No centro da sala, jazia uma estatua. Era uma unica estatua simples, de um homem vestindo um imponente manto que sentava em um trono a observar a aquela sala como se ela fosse se reino. O mesmo estava com seu corpo coberto por um véu, este não fazendo parte da estatua, e ao todo tinha quase 4 metros de altura. Este, era Deus.
E em volta de Deus, Aura podia ver ossos e trapos jogados, que cobriam o chão da sala até mais ou menos onde a mesma pisava. Em meio á aqueles ossos, também, a mesma podia ver uma quantidade absurda de moedas de ouro, que cobriam os pés da estatua como se para que ela não tocasse nos ossos.
Em frente á estatua, então, Aura podia ver 6 figuras, irmãos e irmãs já bem velhos que a garota notara o sumisso de dentro do monastério. 5 delas estavam ajoelhadas, rezando para a estatua, enquanto a sexta se encontrava caída no chão, provavelmente já em seus últimos momentos, mas as outras nem mesmo olhavam em sua direção, continuando suas rezas que mantiam a sala num silencio profundo com um eco distante de suas preces no canto de sua audição.
Aura se sentia surpresa pelo ambiente da sala, mas também sentia um medo enorme, que parecia cobrir sua pele e fazer seus ossos pesarem. Medo dos ossos no chão, que simbolizavam as incontáveis mortes que ocorreram naquela sala. Medo daquelas pessoas ajoelhadas, que ela um dia conhecera mas que agora não passavam de ecos de suas antigas identidades. Medo, principalmente, da estatua de seu Deus, que mesmo com o rosto coberto por um véu, parecia estar a observa-la em silencio, apenas esperando pela ação da garota.
Em seu torpor, a garota não percebera o quanto tremia, mas quando finalmente tentava se mover, seu pé acabava causando com que um cranio, jogado ali no chão perto da entrada, rolasse, e a garotinha novamente se encontrava paralisada, dessa vez pelo som que causara, e que acabara soando por aquela sala.
Lentamente, uma das figuras parava sua reza e rastejara até a estatua, pegando uma das moedas de ouro no chão, e mais lentamente ainda, começava a vir rastejando na direção de Aura, com a moeda em mãos.
Aura podia reconhecer a figura como Thalia, uma velha irmã de 50 e poucos anos que cuidara da mesma por alguns anos de sua infância, uma mulher gentil e calma porem um tanto quanto séria, que não falava muito e mesmo assim excedia em seu trabalho. E também podia lembrar de como notara o sumisso de Thalia dos corredores do monastério a pouco mais de 5 meses atrás.
A mulher vinha a se arrastar pelos ossos e trapos, vestindo também não muito alem de trapos seus, mostrando a condição desumana e anormal em que ficara com 5 longos meses, provavelmente e incrivelmente sobrevivendo apenas de suas rezas aparentemente intermináveis, e em seus olhos Aura podia ver um vazio e um branco que a assombravam: Não sabia oque era mais acentuado ali, a loucura ou a cegueira.
Aos poucos, a mulher chegava perto de Aura, estendendo para a garota a moeda, e abria sua boca para falar com a mesma:
"Criança, vejo que você também chegou a esse ponto em sua vida. É reconfortante saber que agora as crianças ganharão mais um irmão ou irmã. Pegue essa moeda como um empréstimo de Deus, e pague no final de sua existência. Ahh, e cuide das estatuas, por favor...!"
Aura não sabia como reagir a aquela estranha fala, apenas estendendo sua mão lentamente e tremendo até a moeda, que logo pegava. Ao analisar a mesma, Aura podia perceber que era feita de ouro puro, tendo em seus dois lados a figura do mesmo anjo que podia ver no vitral no fundo da sala.
"Criança, antes de descer pelas escadas novamente, poderia me dizer seu nome? Essa velha irmã gostaria de saber quem deixou em seu lugar..."
Fechando sua mão firmemente em volta da moeda, Aura aguentava a vontade de chorar por aquela mulher que a ensinara tantas coisas e ao mesmo tempo tão pouco. Como deve ter sido para a mesma, viver toda a sua vida cuidando de estatuas apenas para terminar sua vida num lugar como esse. Em respeito a ela, Aura não podia mentir.
"É Aura. Muito obrigada..."
E com isso, a garota virava de costas e se punha a correr pelas escadarias, monastério abaixo, sem sequer ficar para fechar a porta, que por algum motivo se fechava sozinha. Enquanto era novamente deixada na escuridão da sala, tendo apenas a companhia de outros como ela e de seu Deus silencioso e benevolente, a velha irmã Thalia ficava a remanescer em sua cegueira, sorrindo por algum motivo:
"Bem... Será que é assim que é estar louca? Afinal de contas... Não lembro de nenhuma Aura..."
~ The End
Ufa, finalmente terminei essa parte. Vai por mim, pessoal, a gente pode até fazer parecer fácil, mas post nenhum é fácil de se fazer. Esse mesmo era pra ter levado um dia, e foi mais de uma semana até sair, então...
De qualquer forma, essa história vai ser grande mas está primeira parte dela não vai demorar muito até ficar pronta não, provavelmente vai acabar lá para a parte 7 ou 8, enquanto Crown of Bullets vai ter a conclusão de sua primeira parte no capitulo 15 ou 16, oque já vai demorar um tanto quanto mais.
Por fim, eu ainda tenho que desenhar pra minha pagina no face, então...
Desligando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário