"Grande polvo feio." Desejava ainda ser tão inocente, ainda desconhecendo oque... Oque eles realmente são. Uma vez que você sabe, uma vez que você realmente entende - ou se for um dos azarados que chegam a testemunha-los - você não pode mais esquece-los. Me deixa acordado a noite, e se não pela minha mente logica, não chegaria a dormir mais.
Polvos. É charmoso, francamente - os Deuses Antigos, com faces inchadas e carrancudas se debatendo com tentáculos como as barbas de Netuno. Como um deus do Egito, com o corpo de um homem e a cabeça de um animal. Uma curiosidade, e pouco mais.
A verdade... Bem, eu não posso te contar a verdade, não de maneira exata, como um verdadeiro homem da ciência faria. Essas coisas estão além de nossa ciência. Mesmo assim, eu entendo coisas sobre eles que explicam coisas sobre os testemunhos, e talvez você possa continuar minha pesquisa quando eu não tiver mais os meios para continua-la.
Tudo se resume a dimensões. Nós possuímos três - altura, largura e profundidade. Pegue uma bola de bilhar, sinta seus dedos em volta dela, e você vai entender. Agora imagine uma criatura que existisse em apenas duas dessas três dimensões, num universo descrito como um plano simples dentro do nosso. Para esta criatura, a bola de bilhar pareceria um circulo simples, crescendo e diminuindo enquanto ela passa pelo plano da criatura. Imagine como nossa mão pareceria - estranhos círculos carnudos cheios de fluidos pulsantes, fragmentos de ossos, carne viva. A criatura nunca poderia realmente entender oque estaria vendo, como nunca conseguiria imaginar uma criatura como nós, se movendo livremente em três dimensões e pegando bolas de bilhar como se não fosse nada.
As abominações, como amplamente são descritas, são para nós como seriamos para a criatura indefesa. Eles existem em dimensões além das nossas, as quais a natureza mal podemos imaginar. Quando aparecem para nós, vemos apenas fragmentos de seus corpos - longos períodos de carne vibrante, pulsando com fluidos que não deveriam existir fora de um corpo, que chicoteiam pelo ar e somem por onde vieram de uma maneira que nossa mente simplesmente se recusa a aceitar. Testemunhas tentaram descreve-las como grandes tentáculos, palavras falhando na presença de tamanha incompreensividade. Aqueles que ouviram as histórias se inspiraram nisso, e os explicaram como semelhantes a cefaloides. Isso é uma mentira confortável, já que não existe nada mais abissal nas profundezas dos oceanos que não seja nosso querido irmão comparado ao horror das abominações.
Isso é uma criatura que é incompreensivelmente alienígena, e nossa unica visão da mesma é uma massa de vibrante, alongada carne que escorrega para nosso mundo e para fora dele. Pior que o aparecimento da criatura, incrivelmente, é seu desaparecimento - sua mente sabe, em algum nível, que essa criatura - esse odioso, faminto deus de uma criatura - não está movendo seu corpo entre "aqui" e "além", mas entre ser uma visão de um horror rastejante, e um horror que observa invisível.
Imagine nossa criatura duo-dimensional de novo, e imagine a si mesmo como uma criança cruel. Se você escolhesse atormentar a criatura, ela seria incapaz de se defender. Ela não pode te perceber a não ser que você decida entrar em seu plano - você pode observar todos os seus movimentos, e ela nunca poderá esperar escapar de seu olhar. Seria a coisa mais simples do mundo passar uma agulha por ela, como uma borboleta numa carta. Pegue um copo de água e empurre para o plano da criatura e ela se verá aprisionada, se afogando, num oceano inescapável. A criatura está totalmente a mercê de sua misericórdia, e sempre estará.
Assim como você. Assim como eu.
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