Ao observarem a interminável planície, Ellen e Lin apenas viam os raios dourados do sol sendo
refletidos pelas areias, e defendiam seus olhos da constante dor que sentiam
por isso. Podiam ver um pouco além, metros apenas, um grupo de 3 ghouls abaixados
e andando em volta, mexendo na areia com suas unhas a procura de alguma coisa
que pudessem chamar de comida. As criaturas eram rápidas, entretanto, e
avançavam assim que os dois se aproximavam. Lin atirava um pouco de longe,
mirando nas cabeças e pescoços, enquanto apenas acertava peitos e braços de
dois, que corriam em sua direção, e enquanto 1 morria antes de se aproximar o
suficiente, as balas da pistola acabavam e, sem chance de recarregar, Lin
acabava levando um arranhão. Ellen tinha sorte, sua agilidade era alta, então
ela pulava e cortava as costas da criatura, rapidamente caindo e ficando de
frente para as costas dela, que logo virava e, furiosa, pulava na garota. Ela
via Lin tentando seus tiros, e perfurava o ghoul, levando um arranhão no braço
mas matando a criatura, já que as facas do jogo, justamente em contraste com o
fato de que seu alcance era curtíssimo, tinham um dano muito alto e inclusive
escalavam um pouco com a destreza de Ellen, que também era bem grande. Corria
até Lin, e retirava o pequeno monstro de cima de seu irmão enquanto o puxava com
sua faca, o jogando no chão onde o apunhalava até a morte... Sem nenhuma
palavra, algo que não era muito necessário entre os irmãos, eles se limpavam e
continuavam pelo deserto...
No primeiro dia, Ellen
e Lin começaram a andar pelo deserto. Derrotaram alguns pequenos grupos de
ghouls, descobrindo que, diferente dos players que enfrentaram, inimigos comuns
não rendiam quase nada de xp. Estes Ghouls, em sua grande maioria inimigos de
lv 1 a 3, enchiam 6 a 9% da barra de xp de ambos por morto, e mesmo sendo
inimigos iniciais, eram razoavelmente difíceis de se derrotar para os irmãos
que chegaram ali no lv 2. No primeiro dia, enfrentando estes inimigos que
andavam em pequenos grupos de 2 ou 4, eles apenas conseguiram alcançar o lv 5,
evitando constantemente os enormes Juggernauts de metal que viam destruindo
grupos de inimigos iguais e criaturas grotescas que pareciam com ghoul que
haviam crescido demais para seus pequenos aliados. E que provavelmente acabaram
os devorando. Durante a noite, dormiram no escuro e deitamos sobre a areia do
deserto, sentindo o frio dos ventos uivantes do lugar. Sentiam um enorme medo
de serem atacados por alguma das criaturas fortes dali, já que haviam visto sem
querer um dos Ghouls super desenvolvidos surgir a não muitos metros dali,
felizmente saindo em outra direção a que estavam repousando. Ambos deitavam bem
perto um do outro, para se aquecerem, e nem sequer podiam dizer que se sentiam
estranhos com isso, ou desconfortáveis. Eram irmãos, tinham mais semelhanças do
que diferenças. Tinham uma conexão, algo que muitos gêmeos idênticos não
começavam a compreender.
Acordaram, então,
para seu segundo dia ali. Seria algo demorado e difícil, mas continuariam pelo
deserto. Descansar pela noite havia restaurado sua stamina, porem sua vida não,
e podiam notar que, além de munições, até mesmo as facas deveriam ser
severamente administradas, já que sua durabilidade diminuía rapidamente ao
serem usadas, e o jogo já os avisara que o dano das mesmas seria cruelmente
mitigado caso a mesma zerasse. Neste dia, saiam da grande planície, e começavam
a subir e descer por dunas grandes e pequenas, passar por pequenos arcos de
pedra e descer em pequenas crateras. O lugar estava cheio de Ghouls, que lhe
renderam mais um Lv, mas logo as criaturas mecânicas de antes começaram a
aparecer em uma grande quantidade e variedade, algumas escavando o chão e as
paredes das crateras a procura de minérios, enquanto outros apenas andavam sem
rumo enquanto capturavam tudo com câmeras. Não eram imediatamente uma ameaça,
oque surpreendia os irmãos, que enfrentavam alguns em momentos oportunos e
continuavam seu caminho. Pouco a pouco, avançar se tornava mais difícil,
enquanto o caminho parecia se inclinar aos poucos, adentrando em uma espécie de
enorme fissura na terra. Continuaram andando pela tarde, até que decidiram para
para descansar no meio da fissura. Montaram seu acampamento, ou seja, afofaram
a terra, e se sentaram enquanto faziam uma fogueira. Haviam descoberto que
alguns inimigos mecânicos que carregavam lança-chamas antiquados dropavam os matérias que necessitavam para, até mesmo sem utilizar uma mesa de trabalho,
criarem um simples isqueiro. Tiveram que farma-lo por algum tempo depois de
descobrirem a pequena, porem precisa, lista de drops do mesmo, quem haviam
conseguido após analisar o primeiro, que infelizmente não dropara nada, e
conseguiram aquele item. Além disso, haviam achado algumas arvores secas ali e
ali, e um pequeno montinho de gravetos seco eles podiam montar ali, entre um
pequeno circulo de pedras. Além disso, tinham alguns outros itens simples,
basicamente uma quantidade enorme de porcas e parafusos, itens individuais que
deveriam ser parte essencial do processo de sintetização de itens inicial, ou
talvez pudessem trocar por créditos com algum NPC certo? Também tinha
compartimentos de gasolina, algumas placas de metal, barras pequenas de ferro,
visores de vidro trincados, extremidades de plástico derretidas, e um único núcleo de energia quebrado, algo que droparam raramente num dos inimigos mais
complicados do dia, um poderoso robô humanoide que lutava com uma apêndice de
ferro parecida com um bastão que era acoplada ao seu braço e que soltava
faiscas. Foi o único inimigo que não morreu quando sua vida chegou ao zero, também, pois pouco depois se arrastou por alguns metros antes de parar de se
mexer. Os robôs, notaram os dois irmãos, não borbulhavam e se desfaziam ou
viravam fumaça. Seus corpos continuavam no local de sua morte, porem apenas os
itens “dropados” podiam ser retirados dos mesmos, que realmente tinham que ser
examinados para acabar rendendo algum recurso. Ambos, agora, estavam sentados ao
lado da fogueira, enquanto o mundo escurecia á sua volta. Ali, no meio daquela
grande fissura, tinham quase certeza de que nada poderia pega-los. A pistola de
Lin estava quase sem munição, e o mesmo começara a usar da reserva que estava
no inventario de Ellen desde o inicio, mas também não durariam muito, enquanto
a faca de Ellen também havia visto dias melhores, sua durabilidade não
diminuindo tanto a partir dos confrontos com os robôs, mas ainda assim muito
baixa para simplesmente ser ignorada. Lin havia insistido em dar a garota a sua
quando a dela quebrasse, mas até o momento ela recusara:
- Lin... Será que ainda temos muito a seguir até a primeira
zona...? – Perguntou ela, enquanto olhava para o céu. A vida da mesma ficava
permanentemente no canto de sua visão, uma barra amarela mostrando [48%],
enquanto as vezes podia ver a de Lin pairando logo em cima de sua cabeça, também amarela, porem com [53%]. Ele tinha uma pistola, afinal de contas...
- Não sei, Ellen... Talvez tenhamos até passado, não creio
que fariam a gente andar tanto para chegarmos a primeira Dungeon do jogo, não
acha...? – Ele perguntava, olhando para ela e esperando sua opinião.
- Sim, você tem razão... Ainda assim, para termos andado
tudo isso e simplesmente termos perdido algo como... C-como isso, não creio que
o jogo não sinalizaria quando chegássemos perto, então... – Ela dizia, receosa,
enquanto empunhava sua faca e começava a observa-la lentamente. O fio da mesma
já estava demonstrando sua durabilidade, cheio de rachaduras e desníveis.
- Você... Pode pegar a minha, Ellen... Por favor, você está infligindo bons 65% de todo o dano que fizemos nesses 2 dias, não precisa ter
vergonha de aceitar... Você me deu munição, maninha...!! – Lin dizia ao
observar a expressão de sua irmã, aflito.
- Eu estou bem, Lin... Logo teremos armas melhores, e tudo
será bem mais fácil... – Ela dizia, virando a cara um pouco. Iria esperar até o
ultimo momento para aceitar aquilo, tinha certeza. Lin poderia precisar ainda.
De uma boa e velha faca, quando os tiros dele já não conseguissem manter seus
inimigos muito longe. Quando ela não conseguisse manter seus inimigos longe...
- Tudo bem, se insiste... Quando a sua quebrar, vou te fazer
engolir minha proposta, está me ouvindo...?! – Ele comentava, irritado, e
ficava um pouco surpreso com um risinho da garota de cabelos negros em sua
frente.
- Hah, Lin... Tinha me esquecido como você melhora todas
essas situações... – Ela dizia, sorrindo um pouco. Voltava a ficar pensativa,
então, enquanto seu pé batia no chão, relembrando a estratégia que a mesma
usara dois dias antes... Na arena branca, que ainda não escapara de sua
mente...
- Você... Não está bem..! Vamos, você me disse oque
aconteceu quando, bem... Quando eu não estava lá, com você, mas... Ellen, logo
você, tão afetada assim...! – Dizia ele, enquanto a olhava. Ela, tremendo um
pouco, olhava para ele, uma resposta escapando as garras de sua língua.
- Eram seres humanos, Lin.. Pessoas... Tinha gente mais nova
que nós... Crianças, até... E-eu não sei como consegue fazer isso, mas... Eu não...
– Ela dizia, olhando para baixo e sorrindo tristemente...
- Ellen, você sabe tanto quanto eu... É a morte, era você ou
eles, e não tem mais volta... Hah, aposto que você se esqueceu disso quando
avançou contra eles...!! – Ele dizia, tentando ficar de bom humor, e via o
sorriso dela tremer por um segundo... – Meu Deus, Ellen, você ainda sorri... Sabe,
isso é bem estranho sobre você... Você sorri de tristeza, sorri de nervoso... Sorri
quando está com raiva... Ainda não entendo como toda a fanbase acha que você é
fria...
- São... As entrevistas, geralmente... Eu não falo nada, não
ligo para ninguém... Quem não está olhando para o meu rosto não pode perceb-
- Eu sei, Ellen, eu sempre estive lá com você... Sempre
falei por nós dois! Sabe, tenho um pouco de pena do pessoal que você matou... Aposto
que sorriu, na hora... Eles devem ter morrido com medo... – Dizia ele,
apontando um fato, e sabia que tinha acertado onde doía. Fazia isso as vezes,
para tentar se convencer também que sua irmã era uma assassina de sangue frio,
e não uma garotinha confusa e assustada. As vezes, ele precisava ser cruel para
que ela percebesse a futilidade das próprias ações... Em si, não se importava
com as vidas que ele ou ela teriam que tirar... Desde que sobrevivessem juntos,
estaria tudo bem para ele... E ele sabia que para ela também... – De qualquer
jeito, boa noite... Dorme um pouco mais, amanhã vamos andar até bem depois do
por-do-sol... – E então, ele se deitava no solo duro da fissura, ao lado do
fogo.
Do outro lado, o
observando dormir, estava Ellen. Ela pensava nas palavras dele, sempre que ele
falava. Ele tinha esse efeito nas pessoas, elas ouviam realmente oque ele tinha
a dizer, mas Ellen... Ellen sempre ouvia, e pensava muito sobre tudo que ele
dizia... Ele era sua voz da razão, mas as vezes... Ela sentia que ele podia ser
tão cruel... Não sabia por quanto tempo ficara ali, perdida em seus pensamentos
olhando para o nada, mas acordara ao ouvir dois sons. O primeiro era o vento,
que nas horas da madrugara começava a uivar ali, avisando a garota sobre as
horas de sono que ela havia perdido, e o segundo, um grunhido baixo, se
aproximando da mesma pela direção em que futuramente seguiriam... Ao olhar
naquela direção, tentando não realizar muitos movimentos bruscos, podia ver uma
enorme sombra se aproximando... Enquanto ela se aproximava, a parede da fissura
se iluminava, mostrando um texto:
[EVENTO OPCIONAL ACIONADO.]
[UM FERA NA FISSURA.]
[SUB-CHEFE – CÃO DO INFERNO.]
[BOA SORTE!]
“A ultima parte é só
para me irritar”, pensou Ellen enquanto se levantava lentamente... Via a barra
em 100% da criatura, e quando ela se aproximava, podia ver que era como um
enorme lobo com uma enorme boca cheia de presas, olhos vermelhos e um padrão de
rachaduras alaranjadas por todo seu corpo... A mesma começava a tentar dar uma
volta no mesmo, até se surpreender vendo que ele não focava na garota. Ele
focava em Lin.
Com um trincar de
dentes, a garota dava vários passos silenciosos, porem precisos, e pulava em
cima da criatura, que parava de se aproximar do garoto deitado para se balançar
e tentar derrubar aquela presa tão complicada. Enquanto tentava continuar
agarrada a pelagem suja daquele lobo enorme, Ellen ia lhe dando varias facadas.
Podia ver a vida da criatura descendo de 2 a 4% por ataque, mas podia também sentir
suas mãos escorregando do mesmo. Enquanto finalmente caia, observando os [76%]
de vida de seu oponente, Ellen firmemente pegava seu faca e tentava se segurar,
vendo a mesma se aprofundar na carne daquele ser, que dava um urro de dor. Surpresa,
Ellen mal registrava uma mensagem vermelha dizendo [ACERTO CRITICO] aparecendo
rapidamente em sua visão enquanto caia para trás... Se recompondo enquanto
observava a criatura ainda sem muita reação, Ellen notava que a vida da mesma
havia baixado até [69%]. O monstro, finalmente cessando seu lamento, avançava
contra a garota, que por pouco se esgueirava para longe de seu alcance, e logo
o mesmo levava três tiros do lado de seu rosto, todos soltando pequenas
mensagens de acerto critico, para a surpresa de Ellen. Lin parecia em pé a
algum tempo já, e com uma expressão seria não deixava a criatura sair de sua
vista, se preparando para atirar novamente caso fosse necessário. A barra de
vida da criatura agora indicava [51%], e enquanto ela hesitava, Ellen corria. Para
debaixo da mesma, e esquivando sua enorme pata, onde deixava um pequeno corte,
a mesma fincava sua faca na barriga do cão e arrastava por uma pequena
distancia, antes de ser chutada por uma das patas traseiras do animal, sua própria vida diminuindo até [38%], quase no vermelho. Vendo outra das patas
daquele enorme animal descendo em cima da mesma, ela rolava para o lado, e logo
se via longe do perigo de ser pisoteada. E também longe de poder ajudar Lin,
que ela logo via encurralada pelo enorme oponente, que mesmo levando alguns
tiros em seu rosto, levantava uma pata para acertar o frágil humano em sua
frente. Sua vida rapidamente havia chegado a [32%], praticamente no vermelho,
mas com o poderoso ataque que descia sobre Lin, a vida do garoto realmente
descia até o vermelho, exatamente [29%], e Ellen podia notar a criatura também
tomar uma certa tonalidade vermelha em sua pele, aproximando seu rosto de Lin. Correndo,
Ellen pulava em cima dele, e se equilibrando, mirava no pescoço da criatura uma rápida facada, vendo novamente uma mensagem vermelha de acerto critico aparecer
em sua visão, junto com outra roxa que dizia [PONTO FRACO ENCONTRADO!]. A vida
da criatura descia quase pela metade, agora [19%], e com raiva, a mesma se
balançava violentamente, jogando uma Ellen surpresa para a frente, que caia
quase por cima de Lin, enquanto observava a mandíbula do cão se aproximar numa
forte mordida. Naquele instante, apontara sua faca para o céu da boca da
criatura e apostava tudo, rapidamente sentindo as longas presas da criatura
perfurarem seu ombro e barriga. Sentia a dor, mas não podia parar, a nem parava
para olhar sua vida enquanto flexionava um pouco mais seu punho, perfurando o céu
da boca da criatura. Flexionava para trás e para frente, e novamente. Enquanto
a visão da mesma começava a embaçar e escurecer, podia ver varias mensagens de
acerto critico surgindo em sua visão. Mas logo antes de finalmente perder a consciência, uma única mensagem lhe deixava curiosa para acordar logo...:
[ARMA QUEBRADA!]
The End ~ Nikki
Desculpem a demora, novamente, mas não tive inspiração pra esse capitulo, ele simplesmente não fluía, e por isso demorei muito para sair do segundo paragrafo. Mesmo assim, me sinto orgulhoso de ter terminado ele antes da inevitável morte do sol, e por isso agradeço a espera e compreensão de quem ler isso. Tipo, não sei quem, mas valeu por esperar. O trabalho e a escola andam difíceis, e por isso estou meio inativo, mas não pretendo deixar esse blog morrer.
Além disso, também é bom avisar que eu e meu amigo Lucas, que também posta aqui no blog, estamos começando nosso próprio Studio de mangas, e enquanto eu, que não estou 100% empenhando no projeto simplesmente por não ter como, ele está se esforçando bastante para completar as metas, e por isso não postara aqui no blog por tempo indeterminado. Talvez nunca mais, mas quem sabe ele mude de ideia e volta algum dia...
De qualquer jeito, obrigado por ler, e espero feedback se alguém que não conheceu o blog através de minha ótima propaganda pessoal quiser deixar uma opinião ou sugestão. Estamos abertos para criticas e fãs. Ou melhor, eu estou.
Desligando.
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